
Esse ano "comemoram-se" muitas datas:
60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948)
120 anos da Abolição da Escravidão (1888)
20 anos da Constituinte (1988)
40 anos de 1968.
E o que ouvimos falar sobre isso? Quase nada!!! Muito ao contrário do burburinho causado pelos 100 anos da imigração japonesa e os 200 anos da vinda da família real. Sinceramente não entendo toda essa festa pela chegada de D. João ao Brasil! Pelo que me consta a corte não trouxe nada de muito proveitoso para o país (é só olhar o atendimento do Banco do Brasil), pode até ter acelarado a "independência", mas naquele contexto histórico, ela ia acontecer mais dia menos dia. E os orientais (tenho a maior admiração e respeito pela sua cultura) que me desculpem, mas também não entendo o por que do auê (sei que eles ajudaram a construir o Brasil, mas para mim os negros ajudaram muito mais!).
Quero falar de 1968: Um ano que marcou o século XX. Quando valores foram contestados, com a juventude negando o estilo de vida capitalista. Em Paris, temos a greve geral de maio (que ao contrário do que muitos pensam era contra o partido comunista, contra sua burocratização e pela liberação operária). Nos E.U.A surgiu a ContraCultura, onde nasceu a identidade juvenil rebelde, com um sentido anti-imperialista e anti-militar (lembrem-se que a Guerra do Vietnã estava bombando), com a Revolução Sexual (Paz e Amor), a liberação da mulheres e experiências psicodélicas, muitas vezes sob o efeito de drogas (sobretudo o LSD).
No Brasil o buraco era mais embaixo, não bastava lutar contra o "sistema", tínhamos uma ditadura militar sob nossos narizes. Fez- se a Tropicália e em troca ganhou-se um AI-5 para calar as vozes que insistiam em ecoar.
Embora tenha havido uma mercantilização dos valores ligados à "revolução", como o sexo e as drogas, que agora se transformam em tráfico e pornografia, 68 nos deixa (pelo menos para mim) muitos legados, mas o principal é que uma crítica social não pode ser apenas uma crítica da economia-política, mas também uma crítica dos modos de vida.
Será que esse silêncio sobre 68 (só tenho visto debates e eventos sobre o assuntos em lugares ligados à esquerda), sobre o AI-5 (que também faz 40 anos), sobre a abolição, é para que não nos lembremos desses momentos em que os que não detinham o poder político é que fizeram a história e assim não possamos nos inspirar e contestar o que está aí?
Infelizmente, me parece que sim...
Mais sobre 1968
Mais sobre a ContraCultura
Mais sobre a Tropicália
Mais sobre o AI-5
PS: Ganhei um mimo muito especial na semana passada, a Alice, do anormalizando, fez um layout para o PlocPlicPloc...Me mandou com um e-mail tão carinhoso. Achei a atitude tão legal! Obrigada, querida! Adorei mesmo!
Bom, como vcs já perceberam, não sou de ficar trocando o lay, até porque acho que ele é meio que uma identidade do blog, mas diante de tal presente, vou abrir uma (deliciosa) exceção e a versão blue vai ficar aqui por um tempo...
Ane Talita,21 anos,futura cientista social,possui síndrome de Peter Pan,gosta da calma da praia,mas também gosta da cidade,gosta de sol,mas também gosta de chuva,se dá o direito de gostar de coisas contraditórias.Acredita que o mundo pode ser um lugar melhor e está fazendo a sua parte!